Ouarzazate, em Marrocos, é a capital cinematográfica do deserto ('Ouallywood') e a porta do Sara — os Atlas Studios, as casbás, o Oásis de Fint e a estrada para sul.
Ouarzazate é uma cidade situada logo a sul das montanhas do Alto Atlas marroquino, apelidada de 'a porta do deserto' e mais conhecida como a capital cinematográfica do país — a 'Ouallywood'. Os Atlas Studios, fundados em 1983, figuram entre os maiores complexos de estúdios do mundo em área; este e os vizinhos CLA Studios (2004) acolheram Lawrence da Arábia, O Gladiador, A Múmia e A Guerra dos Tronos. A cidade é também a porta de entrada para Aït Ben Haddou, o Vale do Drâa e o Sara.
Onde fica Ouarzazate, a 'porta do deserto'?
Ouarzazate situa-se na região de Drâa-Tafilalet, no centro-sul de Marrocos, na vertente meridional do Alto Atlas. Para lá chegar a partir de Marraquexe, sobe-se e desce-se o Tizi n'Tichka, o desfiladeiro alcatroado mais alto do Norte de África, descendo depois para um amplo planalto pré-saariano de tons ocres.
O nome é berbere e tradicionalmente interpretado como 'sem ruído' ou 'silencioso' — algo adequado ao que historicamente foi um tranquilo ponto de passagem das caravanas transarianas. Hoje merece o seu título mais conhecido, 'a porta do deserto', porque quase todas as rotas terrestres rumo aos oásis e dunas do sul convergem aqui.
Do ponto de vista administrativo, Ouarzazate é a capital da sua província e um polo para toda a região de Drâa-Tafilalet. Acolhe também o complexo solar Noor, uma das maiores centrais de energia solar concentrada do mundo — uma lembrança de que o mesmo sol implacável que atrai as equipas de cinema alimenta agora boa parte do sul de Marrocos. Para o viajante, porém, é a geografia que conta: as montanhas atrás de si, o deserto à frente.
Porque é Ouarzazate a capital cinematográfica de Marrocos?
Ouarzazate já fez de Roma antiga, do Egito, do Tibete, de Jerusalém e dos desertos de uma dúzia de mundos inventados. A combinação de sol fiável, luz límpida do deserto, arquitetura dramática das casbás e custos de produção baixos transformou-a num íman para as equipas de cinema internacionais a partir da década de 1960.
A primeira grande produção a colocá-la no mapa foi Lawrence da Arábia, de David Lean, em 1962. A infraestrutura que surgiu depois — estúdios de som, armazéns de adereços, equipas locais qualificadas e figurantes — é a razão pela qual os habitantes chamam orgulhosamente à cidade 'Ouallywood'.
A lista de filmes rodados em Ouarzazate e arredores lê-se como uma história do épico: A Joia do Nilo, Kundun, A Múmia, O Gladiador, O Reino dos Céus, Babel, O Príncipe da Pérsia e as sequências no deserto de A Guerra dos Tronos. Décadas de produção construíram uma economia local de cenógrafos, oficinas de guarda-roupa e um vasto conjunto de figurantes capazes de estar num cenário poucas horas após uma chamada.
“Os hóspedes esperam um cenário de cinema e encontram uma cidade viva. As mesmas famílias que cultivam os palmeirais têm avós que construíram as casbás e pais que pintaram os cenários dos filmes — aqui, a história e o cinema são a mesma história.”
— Amina, designer de viagens da Morocco Beauty Spots
Pode visitar-se os estúdios de cinema de Ouarzazate?
Sim. Ambos os grandes complexos oferecem visitas guiadas. Os Atlas Studios, fundados em 1983 pelo produtor Mohamed Belghmi e ocupando mais de 300 000 pés quadrados de deserto, cerca de 5 km a oeste da cidade, são os mais visitados; as suas visitas levam-no a percorrer cenários que permanecem de filmes como A Múmia, O Gladiador e O Reino dos Céus.
Os CLA Studios, criados em 2004, são o outro grande complexo e conservam cenários de produções como A Guerra dos Tronos e Cidade sob Cerco. Uma visita curta a qualquer um deles dura normalmente cerca de 45 minutos a uma hora e é conduzida por um guia que aponta onde foi rodada cada cena.

O que mais há para ver em Ouarzazate?
A própria cidade gira em torno da Casbá Taourirt, um palácio de terra do século XVIII que pertenceu outrora à poderosa família Glaoui, que controlava as rotas comerciais para sul. Mesmo em frente ergue-se o Museu do Cinema, inaugurado em 2007 num antigo estúdio, onde pode percorrer adereços, cenários e equipamento de câmara reais.
Cerca de 15 minutos para sul, o Oásis de Fint é uma faixa escondida de palmeiras e aldeias berberes aninhada abaixo do planalto árido — um segredo dos diretores de produção à procura de locais e uma maravilhosa paragem sem pressas. Logo a oeste da cidade, a mais pequena Casbá Tifoultoute, outro antigo reduto dos Glaoui, oferece vistas amplas sobre o vale do rio.
Tendemos a orientar os hóspedes para Fint precisamente porque é o oposto de um cenário de estúdio: um oásis vivo onde as famílias ainda cultivam pequenas parcelas de cevada e tâmaras entre as palmeiras. Um simples almoço com uma família berbere ali — pão cozido nessa manhã, tagine, chá de hortelã — é o tipo de hora pausada que as visitas aos estúdios, com todo o seu espetáculo, não lhe podem dar.
| Atração | O que é | Porquê ir / tempo necessário |
|---|---|---|
| Atlas Studios | Complexo de estúdios, fundado em 1983, a ~5 km a oeste | Maiores cenários; O Gladiador, A Múmia — visita de ~1 h |
| CLA Studios | Segundo grande complexo, criado em 2004 | Cenários de A Guerra dos Tronos e Cidade sob Cerco — ~45 min |
| Casbá Taourirt | Palácio de terra Glaoui do séc. XVIII, centro da cidade | Arquitetura e história vivas — 45-60 min |
| Museu do Cinema | Museu de adereços e cenários em frente à casbá | Adereços e câmaras reais — 30-45 min |
| Oásis de Fint | Oásis de palmeiras e aldeias berberes, ~15 min a sul | Paisagem tranquila, almoço com uma família — 2-3 h |
Como se chega a Ouarzazate atravessando o Tichka?
A abordagem clássica é a viagem de quatro horas a partir de Marraquexe, atravessando o Tizi n'Tichka, um desfiladeiro de curvas apertadas que culmina acima dos 2200 metros. Uma paragem que vale a pena, a meio da subida, leva-o à Casbá Telouet, o berço ancestral da dinastia Glaoui, escondida num vale lateral.
Se preferir não conduzir o desfiladeiro por si mesmo, o nosso guia do desfiladeiro de Tizi n'Tichka explica a estrada, as paragens e os tempos realistas. Ouarzazate tem também um pequeno aeroporto com ligações domésticas, mas é a rota terrestre que a maioria dos viajantes procura como experiência.
Uma nota prática sobre a viagem: o Tichka está totalmente alcatroado e foi alargado nos últimos anos, mas continua a ser uma longa estrada de montanha, com curvas frequentes, camiões lentos e o ocasional encerramento por neve em pleno inverno. Reservamos meio dia inteiro a partir de Marraquexe com paragens, e não uma transferência rápida — a paisagem, os arganais e os miradouros fazem parte do motivo pelo qual a estrada importa tanto como o destino.
Para onde o leva Ouarzazate a seguir?
Ouarzazate é uma charneira, não um destino onde se chega e parte de avião. Cerca de 30 km a noroeste fica Aït Ben Haddou, o ksar de adobe classificado pela UNESCO que fez de Yunkai em A Guerra dos Tronos e surge em O Gladiador — descrito em pormenor no nosso guia Aït Ben Haddou: cinema e história.
Rumando a sul e a leste, a cidade abre-se para a Estrada das Mil Casbás — os palmeirais e as aldeias fortificadas do Vale do Drâa — que o leva em direção a Merzouga e às dunas de Erg Chebbi. O circuito pelo deserto de Marraquexe a Merzouga percorre exatamente esse arco.

Quanto tempo é preciso em Ouarzazate?
A maioria dos viajantes encara Ouarzazate como uma paragem de uma noite num circuito mais longo pelo sul. Meio dia cobre uma visita a um estúdio, a Casbá Taourirt e o Museu do Cinema; acrescente meio dia para o Oásis de Fint e terá um dia inteiro descontraído mais uma noite.
Se o seu verdadeiro objetivo são as dunas, pense em Ouarzazate como o lugar onde dorme depois do Tichka e antes do deserto — suficientemente perto de Aït Ben Haddou para a ver à hora dourada e perfeitamente posicionada para começar a estrada para sul na manhã seguinte.
Em resumo: deve Ouarzazate constar do seu roteiro?
Se o seu itinerário liga Marraquexe ao Sara, a resposta é quase sempre sim — é a paragem natural para pernoitar e a porta de entrada para as paisagens mais cinematográficas de Marrocos. Para o cinéfilo é uma paragem imperdível; para todos os outros é a porta que se atravessa a caminho das dunas.
O que mais surpreende quem visita pela primeira vez é o quão natural o lugar parece. Não há verniz de parque temático: as casbás são habitadas, os cenários dos estúdios estão desgastados pelo vento real do deserto e a cidade mantém o ritmo lento de um oásis do sul. É precisamente essa autenticidade que faz com que fotografe tão bem e que os realizadores não parem de voltar.
Quando estiver pronto para planear a rota — quer queira um dia dedicado ao cinema ou uma travessia completa do deserto — leia os nossos guias circuito pelo deserto de Marraquexe a Merzouga e Estrada das Mil Casbás e depois diga-nos como gosta de viajar através do nosso rápido planeador de viagem. Ouarzazate figura com destaque no nosso Grande Circuito de Marrocos de 10 dias privado, que entrelaça o Tichka, as casbás e o Sara num único circuito sem pressas; o mais curto circuito de 3 dias de Fez ao deserto chega às dunas a partir do norte.

Escrito por
Amina Benkirane
Destination Editor
Writer and photographer covering the Maghreb. Ten years of wandering souks, kasbahs, and back roads most guidebooks miss.







